Sou otimista ou realista?
Atualmente estou passando por algumas dificuldades da vida cotidiana. Recém-casado, morando fora da casa dos pais. Bom… vocês podem imaginar o resto.
E mais difícil do que pra mim, está sendo pra minha esposa. Ela está sofrendo muito mais com as pressões da vida, talvez porque não sofreu tanto quanto eu já sofri.
Mas, principalmente, fiquei pensativo em relação a uma situação. Enquanto todos ao meu redor dizem que eu tô na merda, e que a situação tá podre, e talvez, na visão deles, realmente esteja, eu vejo uma situação diferente.
— Vejo que vai dar tudo certo, e encaro a vida com um certo otimismo.

Claro, um dos principais motivos é que eu já passei por coisas muito mais difíceis de lidar, e me levantei sozinho. Então o cérebro, depois de passar por isso, fica com repertório comportamental pra não endoida.
Só que eu não acredito que seja otimismo, como me falam.
Muita gente diz: “nossa, como você consegue ser otimista assim?” E eu não me considero. E sim, realista.
Cara, tenho comida ainda, água, luz, e até internet pra falar com vocês. E principalmente saúde, disciplina, já li muita coisa, tenho muita coisa.
Tem gente por aí que não tem nada disso. Que, além de toda dificuldade, tem filho, fome, falta de estudo e oportunidade.
Poxa, eu tenho habilidades. Por que vou reclamar?
Não é questão de otimismo, é realidade. Acredito que, claro, todos temos nossas dificuldades, e enfrentá-las é nada mais justo elas realmente serem difíceis. E tá tudo certo ser difícil, ser ruim. Não é ruim ser ruim. É o esperado.
Ser pessimista também não é falar que tudo vai dar merda, mas sim você sempre olhar pelo pior cenário.
E o que eu vejo é bem simples: o pior cenário ainda é extremamente mais confortável que uma criança que está sofrendo numa guerra em países árabes, que uma pessoa pobre, sem estudo, passando fome no Nordeste.
A sua vida, a nossa vida, provavelmente, mesmo sendo difícil, e tem que ser difícil, é muito melhor que a de muitos.
“A luta em si é suficiente para preencher um coração humano. É preciso imaginar Sísifo feliz.” — Albert Camus
