A Sutil Arte de fazer do seu jeito

Sobre sofrimento, TDAH e a coragem de viver no seu próprio ritmo.

My way

Se tem uma música incrível de se escutar, é essa.

Por muitos, e por mim, é considerada musicalmente a melhor de todos os tempos.

Acho que ela fala sobre uma coisa incrivelmente difícil, porém necessária: fazer as coisas do seu jeito.

Acredito que grande parte do sofrimento das pessoas não é fazer as coisas, trabalhar, ter projetos. É a pressão.

Vivemos o hoje, não o amanhã. E quando não temos uma perspectiva clara do amanhã, sentimos um medo gigantesco: preciso de dinheiro, preciso fazer, porque senão tô ferrado, senão as coisas dão errado. E é verdade, nada disso é mentira. Às vezes as coisas dão errado mesmo.

Mas acredito que muito desse medo é falta de, e olha a palavra difícil: “repertório de pós-sofrimento”. Ou dizendo melhor, vitórias sobre coisas incrivelmente difíceis.

O autor que vos fala é TDAH, e já passou por algumas coisas na vida que foram incrivelmente difíceis. E o mais ridículo de tudo isso é que passei por tudo isso só pra me tornar alguém minimamente funcional. Não sou acima da média, rico, bilionário, que conquistou todas as mulheres.

Tudo isso porque nasci com uma comorbidade. Então precisei lutar pra não cair na seleção natural.

E o que isso tem a ver com My Way?

Acredito que essa falta de coragem de fazermos as coisas do nosso jeito, do my way, vem muito disso. De vivermos o complicado, e passarmos por ele. E quando sobrevivemos ao desconforto absurdo, aí sim nos libertamos de alguns medos básicos que nos prendem de fazer do nosso jeito. Por quê? Porque se der errado, “que se foda”, eu sobrevivo. Eu sobrevivi ao inferno, caminhei sobre o fogo descalço, e agora consigo caminhar de novo se for necessário.

E claro, a quantidade desse sofrimento é relativa. Alguém talvez precise sofrer muito mais do que eu pra que esse medo suma. Assim como alguém pode sofrer muito menos que eu e ainda assim criar essa mentalidade. Mas isso não muda o fato: todos precisamos passar pelo inferno pra conhecer a luz.

Ou, como minha frase favorita de anime diz:

“Alguém que não conhece a dor não pode entender a verdadeira paz.”

E assim você desbloqueia o famoso: posso fazer do meu jeito. Até porque, pressão? Que pressão? Essa ridícula de passar fome?

Acho que muito disso vira o próximo tema: “Você ser refém de você mesmo”

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